Reforma Tributária: por que 2026 não é ano de transição
Reforma Tributária

Reforma Tributária: por que 2026 não é ano de transição

  • Autor da postagem

    Guilherme Delon

  • Data da publicação

    23/02/2026

  • Tempo de leitura

    5 minutos

Reforma Tributária: por que 2026 não é ano de transição

A Reforma Tributária avança, e 2026 já se apresenta como um marco decisivo para as empresas. Muitos tratam o período como um “ano-teste”, mas essa visão subestima os impactos reais da reforma tributária sobre preços, contratos e fluxo de caixa. Ignorar esses efeitos pode gerar riscos financeiros relevantes.

Neste artigo, mostramos por que 2026 não pode ser encarado como neutro. Além disso, indicamos quais ações estratégicas devem ser tomadas para mitigar riscos e garantir segurança jurídica e financeira diante do novo modelo tributário.

Com a promulgação da reforma tributária, o sistema tributário brasileiro inicia uma transição significativa com a implementação gradual do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Durante esse processo, 2026 marcará a convivência entre os regimes antigo e novo. Por isso, empresas precisarão realizar adequações fiscais, contratuais e operacionais.

Apesar disso, muitas empresas ainda adotam uma postura passiva, pois acreditam que 2026 será apenas um “ano-teste”. No entanto, essa interpretação gera risco real à sustentabilidade financeira e à competitividade no médio e longo prazo.


1. Reforma tributária: início da convivência entre regimes

A partir de 2026, empresas lidarão com obrigações fiscais sob dois sistemas distintos. Portanto, precisarão adaptar ERPs, revisar processos de emissão de notas fiscais e atualizar rotinas de apuração. Além disso, deverão ajustar a forma de recolhimento do tributo, especialmente com o split payment.


2. Reforma tributária e o split payment no capital de giro

O mecanismo de split payment transforma o fluxo financeiro da arrecadação tributária. Nesse modelo, o valor correspondente ao IBS e à CBS é retido e transferido automaticamente aos entes federativos. Assim, o montante não passa pelo caixa da empresa.

Implicações diretas:

  • Redução da disponibilidade imediata de caixa;
  • Necessidade de reavaliar a formação de preços;
  • Ajustes em políticas comerciais, descontos e prazos;
  • Impacto sobre a margem operacional, principalmente em setores de baixa rentabilidade.

Empresas de alimentação, educação, estética e varejo operam com margens reduzidas. Portanto, tendem a sentir impactos mais fortes.


3. Reforma tributária e a geração de créditos fiscais

No novo modelo da reforma tributária, o aproveitamento de créditos depende da conformidade das notas fiscais recebidas. Dessa forma, a regularidade fiscal dos fornecedores se torna um critério estratégico nas relações comerciais.

Empresas devem garantir que seus parceiros:

  • Emitam notas corretamente, com destaque adequado de tributos;
  • Observem as alíquotas aplicáveis ao setor;
  • Possuam boa reputação fiscal e baixo risco de glosa de créditos.

Empresas que dependem de fornecedores do Simples podem perder parte dos créditos. Assim, a revisão da cadeia de suprimentos se torna essencial.


4. Reforma tributária e o Simples Nacional

Empresas do Simples Nacional também precisam repensar sua posição diante da reforma tributária. Embora o regime permaneça diferenciado, o novo modelo de créditos pode reduzir sua atratividade.

Isso ocorre, principalmente, em cadeias produtivas que dependem de créditos tributários para manter competitividade. Portanto, a análise estratégica do regime tributário se torna indispensável.


Exemplos práticos ou cenários empresariais

Cenário 1: Setores com margem apertada

Empresas com margens reduzidas enfrentarão maior pressão sobre o capital de giro. Consequentemente, precisarão revisar preços e contratos com agilidade.

Cenário 2: Contrato sem cláusula de transição

Um contrato firmado em 2025, sem cláusula de ajuste vinculada à reforma tributária, pode gerar desequilíbrio econômico em 2026. Isso ocorre porque o split payment altera o fluxo financeiro e os critérios de crédito.

Cenário 3: Cadeias com fornecedores no Simples

Empresas que dependem de fornecedores do Simples podem perder parte dos créditos no novo modelo. Portanto, revisar a estrutura da cadeia se torna uma medida estratégica.


Benefícios/impactos para empresas

Benefícios de se preparar em 2026

  • Redução de riscos fiscais e autuações;
  • Maior previsibilidade de fluxo de caixa;
  • Aumento da segurança jurídica na formação de contratos e preços;
  • Otimização do aproveitamento de créditos de IBS e CBS.

Impactos de não agir

  • Perda de competitividade por precificação desatualizada;
  • Inviabilidade de contratos antigos sob nova lógica tributária;
  • Pressão sobre capital de giro e margem operacional;
  • Dificuldade de repasse de custos ao cliente.

Boas práticas

  • Mapear impactos operacionais e financeiros da reforma tributária;
  • Revisar contratos comerciais com cláusulas de transição tributária;
  • Atualizar ERPs e sistemas de emissão de nota fiscal;
  • Treinar equipes fiscal e contábil sobre as novas regras;
  • Avaliar reorganização societária ou mudança de regime tributário;
  • Realizar due diligence fiscal de fornecedores.

Riscos ou erros comuns

  • Tratar 2026 como simples simulação e ignorar efeitos imediatos;
  • Manter contratos sem previsão de split payment;
  • Não revisar precificação diante do novo fluxo de caixa;
  • Deixar de analisar a posição da empresa no Simples Nacional;
  • Negligenciar a emissão correta das notas fiscais na cadeia.

Conclusão

A reforma tributária torna 2026 um ano decisivo para as empresas. Portanto, não se trata de um período neutro, mas do início real da transição para um novo modelo de tributação.


As escolhas feitas agora impactarão resultados financeiros e sustentabilidade operacional. Assim, empresas que adotarem postura ativa, com planejamento e revisão contratual, estarão melhor posicionadas para enfrentar a reforma tributária com segurança e competitividade.

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